Há
justiça para os mais pobres?
(O
direito a moradia x especulação imobiliária)
14/ 02/ 2013
São constantes
as noticias de despejos, e de retirada dos mais pobres das regiões de
crescimento nas grandes cidades, o mesmo vem acontecendo na grande Aracaju, a
cada vez que os trabalhadores urbanos se organizam pelo acesso a moradia digna,
o que se ouve é noticia de despejo. Não vemos uma decisão que de fato beneficie
os mais pobres.
Com
a construção de tantos condomínios na capital os olhos das instituições e do
poder judiciário não estão voltados a entender porque acontecem as reivindicações
por moradia. Como disse Erminia Maricato arquiteta e urbanista que contribuiu
na a proposta de criação do Ministério das Cidades: os trabalhadores não somem
quando acabam as 8 horas de serviço, eles precisam comer, dormir, morar e viver
dignamente. Se crescem as cidades, crescem o números de trabalhadores, eles
precisam ser inseridos nesse crescimento é necessário fazer a critica e
enxergar como a especulação imobiliária impede o acesso a moradia.
Um
fato importante acontece no município de Barra dos Coqueiros, localizado na
região metropolitana de Aracaju. Identificado durante muitos anos como região praieira
e de descanso, após a construção da ponte que faz a ligação com Aracaju, passa
por um crescimento econômico e populacional a olhos vistos. A presença de
construção de condomínios de luxo e a recentemente inauguração do parque
eólico, traz um conjunto de questões para os movimentos populares da região.
Nele
há varias comunidades tradicionais: quilombolas que lutam por uma área
reconhecida; as catadoras de mangabas por uma reserva extrativista, o movimento
dos trabalhadores rurais sem terra por
acesso a terra e ao trabalho que sustenta a vida, os sem teto
reivindicando moradia digna, entre outros grupos que convivem e lutam para não
estarem isolado desse processo de crescimento.
Todos esses grupos se entrelaçam e constituem o município de Barra dos Coqueiros
como um povo forte e que luta pelos seus direitos.
Mas
dentre todas estas questões e lutas locais há uma em especial que nos interessa
debater com mais profundidade, o considerável crescimento de grandes
empreendimentos imobiliários nos últimos períodos, que veio acompanhado de um
amplo processo de especulação imobiliária
realizada por um conjunto de empresários do setor. Dentro deste complexo
problema urbano se inseriu o MOTU – Movimento Organizado dos Trabalhadores
Urbanos a questionar e colocar em pauta o problema.
A
especulação imobiliária consiste na compra ou aquisição de bens imóveis que
terão preços maiores com o passar do tempo, na região trata-se de terrenos. O
valor de mercado aumenta por diversas razões, mas uma das principais apostas
dos empresários é a “boa” localização dos terrenos (proximidade com grandes
avenidas, e vias importantes de passagem nas cidades) – no caso da Barra dos
Coqueiros, a construção da ponte de ligação com Aracaju é um ótimo exemplo,
além da boa infraestrutura de estradas que se ligam a região turística do
estado.
Muitas
capitais do nordeste tem sido vítima deste tipo de manobra dos empresários do
setor, suas consequências para os moradores locais são inúmeras, mas dentre os
principais podemos destacar o aumento do preço da terra, as famílias de baixa
renda não conseguem se fixar na cidade e acabam migrando pros municípios
vizinhos, em outras palavras, as famílias pobres são expulsas das cidades.
Na
região da Grande Aracaju, este fenômeno é facilmente identificado, a própria
designação de “Grande” Aracaju, engloba mais três municípios menores do entorno
para aonde a população foi sendo cada vez mais empurrada a viver. Junto dessa migração forçada aumentam cada vez
mais as ocupações irregulares, ou seja, favelas, invasões, vilas, palafitas,
entre outros, que levam um grande número de famílias a viverem em condições
precárias e indignas, sem acesso a direitos básicos de quem vive nas cidades.
Além
disso, a expulsão das famílias para longe dos “centros” urbanos traz sérios
problemas de mobilidade, o que significa que os trabalhadores que vivem nestas
regiões levam cada vez mais tempo no percurso da casa para o trabalho e o
aumento de problemas com o trânsito nestas cidades também é visível.
Por
último, mas não menos importante, vale dizer que os empresários sugam os
recursos públicos, usam dos benefícios de infraestrutura gerados pelo Estado,
pelos recursos arrecadados de TODA a população para se favorecerem e se
apropriarem destes lucros de maneira PRIVADA.
Tudo
isso já deixa claro onde futuramente irão morar os trabalhadores de Barra dos
Coqueiros, ou seja, na periferia dos belos e lucrativos empreendimentos.
Há nove
meses o Movimento Organizado dos
Trabalhadores Urbanos - MOTU organizou um grupo de trabalhadores excluídos desse
processo de crescimento e que sofrem na pele as consequências da especulação
imobiliária no município. São dezenas de famílias que antes viviam em vilas e
cortiços de aluguel e que ao ver tantos condomínios sendo construídos ao seu
redor se perguntaram: porque não podemos ter acesso?
São
172 famílias que organizaram uma ocupação de um terreno urbano, e após serem
isoladas pelo antigo prefeito Gilson dos Anjos - DEM, começam a ser ouvidas e
recebidas pelo atual prefeito Airton Martins- PMDB. As mesmas já foram
cadastradas pela Prefeitura de Barra dos Coqueiros, onde o prefeito
comprometeu-se a dar auxilio as famílias e que as mesmas serão contempladas no
projeto de habitação que a prefeitura está para construir.
Contudo,
essas famílias estão em área que segundo o plano diretor é para uso e fim
social, o antigo prefeito não cumpriu com que havia sido discutido amplamente
no plano diretor, que previa a desapropriação da área em até 2 anos, esses já
se passaram o dono entrou na justiça e a
ordem de despejo está colocada. E agora? As famílias não podem esperar ou
evaporar, são famílias sem teto até que suas casas estejam prontas qual justiça
será feita?
Os
mais pobres serão esquecidos? Terão seus barracos derrubados?
Se erguem nesse meio grandes condomínios de luxo, a quem serve o direito e a justiça? Quem está sendo injustiçado? Somente o direito a propriedade nos vale? São famílias inteiras crianças, jovens e idosos. Mesmo com apoio das instituições do município e do estado a ordem de despejo nos ameaça.
Se erguem nesse meio grandes condomínios de luxo, a quem serve o direito e a justiça? Quem está sendo injustiçado? Somente o direito a propriedade nos vale? São famílias inteiras crianças, jovens e idosos. Mesmo com apoio das instituições do município e do estado a ordem de despejo nos ameaça.
O
que podemos fazer: lutar e organizar, pois bem é o que estamos fazendo. De pé e
olhando pra frente, o que os ricos querem é nos ver ajoelhados pedindo esmola,
assim querem nos ajudar. Não o faremos, temos direitos e por eles vamos lutar.
Aos
trabalhadores não nos serve este modelo de crescimento urbano, onde se usa o público
em benefício do privado e as consequências da ação destes são problemas
concretos para toda a população. Queremos que o dinheiro público venha em favor
de toda a sociedade e principalmente das famílias mais pobres, queremos
trabalho e salários dignos, queremos viver em moradias dignas e ter acesso a
todos os direitos sociais que nos foram retirados, temos direito a ocupar o
solo urbano, queremos transporte público de qualidade, queremos escola, saúde,
lazer, cultura. Não queremos muito, queremos tudo!
Como
diz Madre Cristina cada pessoa que passa pelo mundo tem que dar sua
contribuição: que a contribuição de quem estar com o poder de decidir esteja ao
lado povo e que a nossa justiça não seja cega, convidamos a todos para conhecer
a realidade destas famílias, como vivemos, de onde viemos e sobretudo conhecer
o que queremos!
Na
Luta por moradia! MOTU! MOTU! MOTU!
Dalva
MOTU (Movimento Organizado dos
Trabalhadores Urbanos)

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