de Carla Bueno e Edison Junior Rocha, militantes do Levante
Os esculachos que organizamos e têm se repetido por
jovens de todo o Brasil nasceram, em condições diferentes, na Argentina. Lá a
sociedade impôs a punição de torturadores, assassinos, estupradores e
seqüestradores que participaram da repressão da ditadura.
Mas os povos podem aprender das experiências uns
dos outros! Na Argentina e do Chile, o método do escrache ou funa expõe aos
olhos do mundo a necessidade da construção da Memória, Verdade e Justiça.
Nos
últimos quinze dias, as nossas ações ajudaram a pautar no Brasil a luta pela
punição dos torturadores. Um novo ator e um novo instrumento de luta entraram
em cena: nós, jovens, com os esculachos de responsáveis pelo assassinato,
desaparecimento e torturas de milhares de brasileiros.
O nosso método é simples: denunciar à sociedade que
entre nós, na sociedade, ainda circulam criminosos impunes, apresentar à
sociedade um violador ou uma violação de Direitos Humanos.
Na
realização dos escrachos, não queremos estabelecer uma relação com os
torturadores, mas com a sociedade e com o Estado, para denunciar as violações
de direitos humanos.
O escracho não é uma sanção ou um castigo. Não
queremos nos antecipar a uma punição para esses criminosos. Não queremos
substituir as autoridades policiais e do Ministério Público ou o Poder
Judiciário.
Queremos ultrapassar as paredes dos gabinetes e, às
vistas de todo o povo, não apenas exigir o cumprimento da lei, mas demonstrar
onde está aquele que a lei diz que deve ser processado e punido.
Nós, jovens, que nascemos nas décadas de 80 e 90,
não admitimos que as feridas da ditadura continuem abertas e que o nosso futuro
seja comprometido por essa âncora pesada e manchada do sangue dos lutadores
pela liberdade, que marca o nosso presente.
O Levante Popular da Juventude é um movimento novo. Nasceu em 2006, no Rio Grande do Sul, mas a partir deste ano passou a se organizar em 17 estados.
Temos como exemplo o companheiro Carlos Marighella, com seu exemplo de convicção ideológica, persistência na luta e coragem para agir.
Marighella acreditava que uma organização se constitui na ação. Por isso, nosso movimento se lançou à sociedade na luta e nas ruas, no enfrentamento com os inimigos.
O Levante Popular da Juventude é um movimento novo. Nasceu em 2006, no Rio Grande do Sul, mas a partir deste ano passou a se organizar em 17 estados.
Temos como exemplo o companheiro Carlos Marighella, com seu exemplo de convicção ideológica, persistência na luta e coragem para agir.
Marighella acreditava que uma organização se constitui na ação. Por isso, nosso movimento se lançou à sociedade na luta e nas ruas, no enfrentamento com os inimigos.
Sim,
a nossa referência de luta e organização é o MST. Por isso, nosso método do
esculacho tem parentesco com as ocupações de terras, que exigem o cumprimento
do dever legal de fazer a reforma agrária, a demonstração da existência das
áreas que não cumprem sua função social e, por isso, podem ser desapropriados.
O Levante organiza jovens para lutar pelos direitos
da juventude e por transformações sociais no nosso país. Somos jovens das
periferias e morros, das escolas e universidades, dos sindicatos, das fábricas
e do comércio, dos assentamentos e acampamentos.
Temos a tarefa de fazer um acerto de contas com o
nosso passado, mas queremos fechar também as feridas aberta pelos privatas do
neoliberalismo de FHC.
Temos a convicção de que, aqui no Brasil, seremos capazes de fazer triunfar a força dos justos que os nossos gritos as ruas anunciam.
Temos a convicção de que, aqui no Brasil, seremos capazes de fazer triunfar a força dos justos que os nossos gritos as ruas anunciam.
Um esculacho é sempre o anúncio de outro. Porque,
se o escrachado de hoje pode ser o torturador de ontem, o escrachado de amanhã
– já se anuncia – poderá ser o policial, o promotor ou o juiz que hoje
prevaricar e proteger os criminosos. A polícia que
reprimiu, torturou e matou aqueles que lutavam pela liberdade durante a
ditadura é a mesma que persegue, humilha, agride e assassina juventude pobre
negra das periferias das grandes cidades. É a mesma que despeja violentamente
as famílias do Pinheirinho e os estudantes que fazem ocupações legítimas nas
universidades.
A ferida está aberta e, só com a verdade, memória e
justiça, será construído os trilhos de um país que, de fato, possa levar a cabo
o período de sombras e deixar refletir a luz que iluminará o caminho da
consolidação de um projeto democrático e popular para o Brasil.
Nossas
lutas vão continuar. Mais esculachos virão. Mais lutas serão travadas em defesa
de justiça, de direitos e de transformações estruturais. Esperamos que mais jovens
se somem ao nosso movimento. Só com organização e luta serão realizadas as
mudanças necessárias para o Brasil.
Leia texto publicado no sitio Conversa Afiada do jornalista Paulo Henrique Amorim
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