Com essa definição, o pesquisador Assis Ângelo, jornalista, escritor e biógrafo de Luiz Gonzaga, sintetiza a importância do acervo deixado pelo artista, que passeou pelos vários gêneros e ritmos musicais entre os quais o baião, o xaxado, o xote, o fado e o samba, despertando a consciência de gerações para as questões sociais.
À frente de uma série de eventos , incluindo a preparação de um CD, entre tantos outros em andamento no país em homenagem ao centenário de Gonzaga, Assis Ângelo está lançando o livro "Lua Estrela Baião: A História de um Rei", o terceiro de sua autoria sobre o Rei do Baião. Também escreveu "Vou Contar pra Vocês", de 2006, que está esgotado, e o "Dicionário Gonzagueando de A a Z".
A obra atual, ilustrada por Luciano Tasso, resgata a história de um dos mais ilustres personagens do Nordeste para um público infantojuvenil e mostra que não foi à toa que o menino de Exu, um pé de serra do sertão pernambucano, cravou para a eternidade esse cantinho do mapa brasileiro.
Há muito o que saber dos feitos dele não só no meio artístico ao longo de uma carreira construída junto com 61 parceiros, dentre os quais Humberto Teixeira e José Dantas foram os principais. Com este último, por exemplo, compôs "Vozes da Seca", cujo trecho inicial diz: "Seu dotô os nordestino têm muita gratidão/ pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão/ Mas dotô uma esmola a um homem qui é são/ Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão".
“A falta de emprego era terrível e não adiantava mandar roupinha, comida. O nordestino estava carente de tudo, inclusive, da atenção presidencial e o que se pedia era trabalho e não simples esmolas”, lembra o escritor.
Segundo Assis, essa canção serviu para desfazer uma crença sem fundamento: a de que Gonzaga tinha ligação com os poderosos, com os militares. Mas o que houve é que “ele nunca foi a uma escola: a escola foi o Exército, por dez anos. Saiu de lá, botou a sanfona nas costas e foi conquistar o Brasil”.
A proposta do novo livro é permitir que pessoas entre 8 e 80 anos aprendam um pouco desse período importante da música brasileira, justifica Assis, defensor da propagação dos valores nacionais. Há sete anos, ele convenceu a então deputada federal Luiza Erundina a apresentar um projeto de lei instituindo o Dia Nacional do Forró, em 13 de dezembro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário