Trecho do livro “Ernesto
Guevara, também conhecido como Che”, de Paco Ignacio Taibo II (adaptado):
(...) Na metade da manhã, o major
Ayoroa solicita voluntários entre os rangers para a tarefa de
carrasco. O suboficial Mario Terán pede para matar Che; um soldado
recorda: “Como argumento, dizia que tinham matado três Marios da companhia B e
como homenagem a eles deviam lhe dar o direito de matá-lo”.
Depois da uma da tarde, Terán entrou
no quartinho da escola de La Higuera (o pequeno povoado da Bolívia onde Che
fora mantido a cargo dos militares bolivianos e dos agentes da CIA). Trazia nas
mãos uma carabina M2 automática. No quarto ao lado, o sargento Bernardino
Huanca executava os companheiros Chino e Simón, capturados juntamente com Che.
Segundo as palavras do próprio
carrasco: “Quando entrei na sala, Che estava sentado em um banco, com os pulsos
amarrados, encostado na parede. Quando me viu, disse: ‘você veio me
matar (...) Fique calmo, você vai matar um homem.’Então, dei um passo para
trás rumo à porta, fechei os olhos e disparei a primeira rajada. Ele caiu no
chão com as pernas destroçadas, se contorcendo; começou a perder muito sangue.
Recuperei o ânimo [sic!] e disparei a segunda rajada, que o atingiu no
braço, em um ombro, e no coração”. Che estava morto, era uma e dez da
tarde do domingo, 9 de outubro de 1967.
Seu corpo foi transladado via
helicóptero até Vallegrande, a 50 Km de La Higuera e 770 Km de La Paz. Lá, após
a sessão de fotos e entrevistas concedidas pelas forças armadas bolivianas à
imprensa (onde os militares faziam questão de mostrar aos fotógrafos os
ferimentos dos tiros, na tentativa de firmarem o fato de que Che Guevara estava
morto), seu corpo e de seus companheiros foram clandestinamente jogados em
uma vala comum pelo capitão Vargas Salinas, a mando do coronel Joaquín
Zenteno e do tenente-coronel Selich, tudo com carta branca do então presidente
René Barrientos.
Após 30 anos de um show de
declarações contraditórias e ridículas com relação ao destino do cadáver de Che
por parte do governo boliviano e das suas forças armadas, em 1997 seus
restos mortais foram encontrados, exceto suas mãos, que foram amputadas para o
exército ter certeza de que era Che aquele homem (por meio de suas digitais), e
para servir de troféu aos generais bolivianos. (...)
Che deixou o seu legado
ideológico por todo o planeta, nós do Levante Popular da Juventude temos esse
dia não como um dia de luto, mas um dia de mística, um dia que nos fortalece
mais ainda para a nossa luta e a luta de todos. Outros Ernesto Guevara
virão!
HASTA SIEMPRE COMANDANTE!
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