Thiago Santana*
O discurso fundado no medo da violência, no pânico generalizado, ligado diretamente à intensificação da ação policial ostensiva tem sido ventilado em Aracaju, nos últimos tempos, por dois personagens antigos: Coronel Iunes, comandante da Polícia Militar de Sergipe, e João Alves Filho, candidato à prefeitura da capital.
O Coronel Iunes, após tresloucados episódios de espancamentos (só!?) sumários, inclusive de familiares (irmã e genro), e depoimentos alusivos a execuções também sumárias (grosso modo, "A polícia faz o furo e Deus mata"), expressa a deficiência do bloco dirigido pelo PT no âmbito da segurança pública. Do PT e de toda a esquerda - observe-se.
A presença de Iunes no comando da Polícia é característica pela repressão e arbitrariedade, em que os fins justificam os meios. Ademais, é a manutenção de prestígio de direção militar antipopular e higienista, ao contrário do que a história do próprio PT propugnou.
O candidato João Alves, por sua vez, com seu histórico de afilhado da ditadura militar, de "A Missão" (grupo de extermínio forjado em seu governo) e proposta de militarização da Guarda Municipal, significa, na segurança pública, o que há de mais truculento e hostil ao povo pobre e às organizações populares.
Os que lutaram pela democracia ou que pareciam esboçar qualquer resistência foram violentados e mortos pela ditadura militar. Os pobres, do interior e da capital, acusados vagamente de roubo de gado, foram exterminados pela "A Missão". Não tiveram sequer direito ao devido processo legal e foram condenados sumariamente à bala. O que virão mais das ações de João Alves? O que se esperar? Quem será selecionado à morte?
É importante frisar que esse proceder é componente básico de seu projeto político. João Alves não se realiza sem sustentação militar para lhe prover. Tal como estabelece Ibarê Dantas, em Coronelismo e Dominação, é característico dos coronéis, além do domínio econômico e político, o uso de milícias armadas para a sujeição e dominação.
Em suma, por um lado, Iunes significa a explícita deficiência de um projeto político e, dentro do governo do PT, um quê de contradição e desafio para a construção de uma ordem democrática em que prevaleçam os militares afeitos à democracia.
Por outro lado, João Alves significa um projeto político construído com vistas à militarização e abafamento das questões sociais, em que deliberadamente se desperta todo o potencial que os Iunes podem ter.
*Membro do Instituto Braços - Centro de Defesa de Direitos Humanos em Sergipe.
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