Pela primeira vez na história da Justiça brasileira, um órgão
colegiado reconheceu os crimes de um agente da ditadura. Nesta
terça-feira 14, a 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de
São Paulo manteve a responsabilização do coronel reformado do Exército
Carlos Brilhante Ustra, ex-comandante do Doi-Codi paulista, pelas
torturas sofridas por três integrantes da família Teles entre 1972 e
1973. Com a decisão, a tortura no Brasil passa agora a ter rosto, nome e
sobrenome – e abre possibilidade para que novas ações sejam tomadas
nesta direção, como lembrou o jurista Pedro Serrano.
Até então, medidas semelhamtes só haviam sido tomadas em decisões
isoladas de juízes de primeira instância e eram derrotadas nos
tribunais superiores.
Trata-se de uma ação declaratória, sem pedido de indenização. Ou
seja: a família vítima de tortura pedia apenas que a Justiça
reconhecesse o ex-militar como torturador. Há quatro anos, o juiz
Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível, já havia responsabilizado
Ustra pelos crimes. Nesta terça-feira, os desembargadores da 1ª Câmara
de Direito Privado do TJ-SP julgaram a apelação e mantiveram a decisão
da primeira instância. Ainda cabe recurso à decisão no Supremo Tribunal
Federal ou no Supremo Tribunal de Justiça.
Ustra chefiou o DOI-Codi, órgão da repressão, entre outubro de 1969 e
dezembro de 1973. Maria Amélia Teles e seu marido, César Augusto Teles,
foram torturados pelos agentes da ditadura após serem presos em 1972.
“A justiça brasileira chegou a essa decisão justamente quando está
fazendo 40 anos que eu e minha famílias fomos torturados”, diz Amélia.
“Faz sete anos que entramos com a ação, e nesse tempo a Justiça avançou.
O tribunal mostrou que é intolerável a sociedade conviver com a total
impunidade dos crimes cometidos pela ditadura”.
“Eu acho que a humilhação de ter sido torturado e a tristeza de ter
familiares mortos sob torturas é uma impressão que não se apaga. Mas
essa sentença veio reparar a dignidade do Estado brasileiro que estava
numa situação de desonra universal”, disse ao final do julgamento o
advogado da família Teles, Fábio Konder Comparato.
LEVANTE CONTRA A TORTURA!

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