ao Massacre de Eldorado dos Carajás
No dia de hoje, jovens de 13 estados
brasileiros e do Distrito Federal realizam ações de protesto pela memória e
justiça no aniversário de 16 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás,
acontecido no dia 17 de abril de 1996 no estado do Pará.
21 cruzes brancas, em memória aos 21
trabalhadores do campo executados pela Polícia Militar em Eldorado, foram
colocadas em pontos estratégicos nos estados do Ceará, Sergipe, Rio Grande do
Norte, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro,
São Paulo, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.
Em Aracaju o protesto aconteceu no “Monumento
aos Formadores de Nacionalidade” na Orla de Atalaia.
A ação, organizada pelo Levante Popular da
Juventude, visa denunciar a impunidade dos responsáveis políticos e materiais
pela chacina e dar visibilidade aos conflitos no campo, fruto da concentração
de terra no país. Segundo a Comissão Pastoral da Terra, os conflitos no campo
aumentaram de 2001 a 2010, levando ao assassinato de 360 trabalhadores.
Eldorado dos Carajás
Há 16 anos, 21 trabalhadores do campo foram
assassinados na cidade de Eldorado dos Carajás, no Pará. Na tarde do dia 17 de
abril de 1996, cerca de 1100 sem-terra interditavam a rodovia PA-150 em marcha
rumo à capital para exigir a desapropriação da fazenda Macaxeira, em Curionópolis (PA), ocupada por
1.500 famílias havia 11 dias.
Do
gabinete do então governador Almir Gabriel saiu a ordem de “desobstrução da
via”, encaminhada pelo secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, e
executada com truculência pela polícia militar do estado do Pará, em ação
comandada pelo Coronel Mário Colares Pantoja e o Major José Maria Pereira
Oliveira.
O
uso abusivo e truculento de força policial é comprovado pelos depoimentos,
fotos e laudos periciais sobre a tragédia.
A perícia judicial divulgou laudo onde concluiu que os sem-terra foram
executados com tiros à queima-roupa, pelas costas ou na cabeça, com golpes de
machado e facão no momento em que já estavam rendidos pela polícia.
Impunidade
Dos 155 acusados, 142 foram absolvidos, 11 foram retirados do
processo e apenas dois -
o Coronel Mário Colares Pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira - foram condenados. O então Governador e o
Secretário de Segurança Pública, responsáveis políticos pela chacina, não foram
sequer indiciados.
Em
2002, o Coronel Mário Colares Pantoja e o Major José Maria Pereira Oliveira
foram condenados a 228 e 154 anos de prisão. No entanto, apesar da sentença, os
dois respondem em liberdade, sem previsão para execução da pena.
Levante Popular da
Juventude
O
Levante Popular da Juventude é um movimento social organizado por jovens que
visa contribuir para a criação de um projeto popular para o Brasil. Não é
ligado a partidos políticos.Com caráter nacional, tem atuação em todos os estados do país, no meio urbano e no campo. Se propõe a articular jovens, militantes de outros movimentos ou não, interessados em discutir as questões sociais e colaborar para a organização popular.
O Levante organiza a juventude para fazer denúncias à sociedade, por meio de
ações de Agitação e Propaganda. Recentemente, no dia 26 de março, organizou
manifestos pela responsabilização dos militares acusados de tortura durante o
período da Ditadura Civil-militar. O Levante Contra a Tortura foi realizado em
vários Estados do país através de ações de escrachos em frente à casa e locais
de trabalho dos militares.
O
movimento não tem bandeiras previamente definidas. A luta política se dá pelas
pautas escolhidas pelos próprios militantes, que realizam atividades de estudo
e debates, sistematicamente, por todo o país.
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