21/03/2012 - 21:20 - Infonet
Ato público contra racismo é realizado na capital
Mobilização foi marcada por manifestação de diversas entidades
Ato público envolveu diversas entidades sergipanas (Fotos: Portal Infonet)
Nesta quarta-feira, 21, dia que marca a luta internacional pela eliminação da discriminação racial, foi realizado um ato público. Organizado por diversas entidades, o objetivo foi envolver a sociedade nas discussões sobre a questão racial e denunciar os crimes ocorridos dentro do Shopping Jardins.
A mobilização saiu da praça Zilda Arns, localizada no bairro Jardins, em direção ao trevo próximo a uma galeria localizada na avenida Pedro Valadares, onde foi realizada uma panfletagem. Na ocasião, líderes de diversas instituições, dentre elas o Instituto Braços, o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH/SE) e a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO/SE), se manifestaram a respeito da comemoração da data e dos casos de tortura e morte que aconteceram no shopping.
Segundo Alex Azevedo, membro do movimento ‘Não Pago’, este é o início de uma mobilização que tem que ser realizada em outras oportunidades para chamar a atenção da população sergipana. “Nosso Estado é o oitavo com maior população negra do país, portanto não podemos ficar parados. Espero que o ato de hoje se torne um marco, e que tenha continuidade”, disse.
Alex Azevedo, membro do movimento ‘Não Pago’, acredita que o ato deve ter continuidade
Discriminação
Ednaldo Coelho, pai de um dos rapazes torturados no shopping em agosto de 2011, também esteve presente e elogiou o movimento. “Meu filho Wendelgardgnem apanhou muito e ainda sofre com tudo que aconteceu, e este ato público está ajudando a relembrar este fato e mostrar que, apesar de o caso ter sido amplamente noticiado, ninguém foi responsabilizado”, informou.
Ednaldo ainda conta que seu filho, assim como os demais homens que foram abordados no shopping, passou por essa situação por ser negro. “A cor da pele influenciou a atitude dos seguranças. Atualmente Wendelgardgnem, que era um rapaz alegre e trabalhador, não sai mais de casa”, desabafa Ednaldo, que garante também ter receio de sair e ser perseguido por policiais.
Mobilização no shopping
Ednaldo Coelho é pai de um dos rapazes torturados no shopping em agosto de 2011
Os participantes do ato público foram até o Shopping Jardins para realizar uma mobilização, mas de acordo com Lídia Anjos, membro do Instituto Braços, foram impedidos de entrar. “Ao chegar às proximidades do shopping avistamos alguns seguranças e resolvemos conversar com eles. Após o diálogo, eles permitiram a nossa entrada no estacionamento, porém outros membros da equipe de segurança formaram um cordão humano e fecharam a passagem”, descreveu Lídia, que também informou que funcionários do shopping, em um ato de ameaça, tiraram fotos de todos os líderes do movimento.
A equipe do Portal Infonet entrou em contato com o Shopping Jardins, mas a assessoria do empreendimento afirmou que desconhecia qualquer informação ligada ao ocorrido desta tarde. Com relação a uma possível prática de panfletagem que poderia ser realizada pelos manifestantes dentro do estabelecimento, a assessoria informou que a prática não é permitida pela diretoria por conta do local ser de cunho privado.
A liderança do ato público, por sua vez, disse que vai se reunir na próxima segunda-feira, 26, às 15h, no Instituto Braços, para discutir sobre a concepção de segurança adotada pelo shopping.
Por Monique Garcez e Cássia Santana
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